segunda-feira, 11 de julho de 2011

Segunda-feira

Hoje não sei o que sinto, 
Qualquer coisa é, 
Mas indistinta, 
Parece um vazio ou uma vertigem, 
Ou ambas...ou nenhuma! 

Talvez nem pareça coisa alguma, 
Talvez antes a vontade, em suma, 
De sentir apenas por sentir. 
Uma vontade de estar,contudo ausente 

Uma vontade de ir, mas ser presente. 

Não adianta sugerir instintos... 
Os sentimentos são puros labirintos 
Que separam o que sou do que sinto, 

A explicação qual barreira, 
Surge, sem sofismas,nem dilemas 

Na imagem nítida e terrena, 
Da mal-amada Segunda-feira!


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Regresso A Casa

A passagem das horas
o perpassar dos dias
o lento fervilhar do tempo em seus artifícios
de claridade e sombras
.
trazem-nos a este lugar preciso
de quietude
em ondulações de silêncio e apaziguamento.
.
É aqui 
onde deveremos reaprender
os festejos da luz 
.
a sombra do pecado original
dos fascínios
pelo regresso urgente
a nossa casa.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tédio

O dia está um bocejo,
Lento e indolente
Sem qualquer espasmo
Que alerte os sentidos.
Assim não tenho, sequer, o ensejo
De uma satisfação decente,
Tal o marcado marasmo
Destes momentos perdidos...
Mesmo assim, ainda versejo,
Num claro repente,
Que interrompe mais do mesmo,
Para encurtar estes minutos compridos.



terça-feira, 31 de maio de 2011

Benjamin Button


Sou um caso raro
De uma vida bizarra
Que começou no fim

Nasci já velho
Com artroses
E sem memória

Sou filho do demónio
Saído de um ventre moribundo...

Tudo por culpa de um relógio
Feito de propósito
Para andar ao contrário

Cresci de trás para a frente
Acertando a vida
Só lá pelos quarenta...

Amei e fui amado
Concebi até uma filha...

Sobrevivi ao tempo errado
E morri no dia em que deveria ter nascido!



sábado, 28 de maio de 2011

Rosa de Saron - Rara Calma

O tempo voou, nem percebi.
Mas sou o mesmo homem que
um dia você conheceu.
A canção não esqueci.
O menino que há em mim
nasceu para cantar.
Chora como nunca, ao sentir:
ainda estamos juntos aqui.
(Refrão)
Abro o coração.
Coloco-me aos seus pés.
Noite escura agora é manhã.
E falo com rara calma:
Sou o que sou, sei que sou fraco,
mas sempre tive Você aqui perto de mim.
O espelho me diz que envelheci.
E que mal pode existir
em ter histórias pra contar
dos amigos que aqui fiz?
Quanta coisa se passou...
Ainda estamos juntos aqui
(Refrão)
Abro o coração.
Coloco-me aos seus pés.
Noite escura agora é manhã.
E falo com rara calma:
sou o que sou, sei que sou fraco,
mas sempre tive Você aqui perto de mim
Então eu...
(Refrão)
Abro o coração.
Coloco-me aos seus pés.
Noite escura agora é manhã.
E falo com rara calma:
sou o que sou, sei que sou fraco,
mas sempre tive Você aqui perto de mim.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Pegadas na areia.


Uma noite eu tive um sonho… sonhei que estava andando com o Senhor, e
através do céu passavam cenas da minha vida. Para cada cena que se passava
percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia: um era o meu e o
outro do Senhor. Quando a última cena da minha vida passou diante de nós,
olhei para trás, para as pegadas na areia, e notei que, muitas vezes, no
caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia. Notei,
também, que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu
viver.
Isso entristeceu-me deveras, e perguntei então ao Senhor: – Senhor, Tu me
disseste que, uma vez que eu resolvi Te seguir, Tu andarias sempre comigo,
mas notei que , durante as maiores atribulações do meu viver, havia na areia
dos caminhos da vida apenas um par de pegadas. Não compreendo por que, nas
horas que eu mais necessitava de Ti. Tu me deixaste.
O Senhor me respondeu: – Meu precioso filho, Eu te amo e jamais te deixaria
nas horas de tua prova e do teu sofrimento. Quando viste na areia apenas um
par de pegadas, foi exatamente aí que Eu, nos braços te carreguei…!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Correnteza

A vida passa por teus olhos como um rio
Em cujas águas mal consegues navegar
A solidão é como a pedra do cais frio
Onde tu paras para rir ou então chorar.

A tua vida é como o fogo num pavio
Que o vento forte não consegue apagar
O teu desejo é a correnteza do rio
Levando o sonho que existe em teu olhar.

O teu amor às vezes é tão arredio
Que a tua dor nem sempre toma o teu lugar
Ele se esconde no silêncio ou no vazio
Que há no teu jeito de esconder o teu olhar.